Bf 109 F-2 da Zvezda 1/48

O Messerschmitt Bf 109 dispensa grandes apresentações. Poucos aviões se tornaram tão representativos da aviação de caça da Segunda Guerra Mundial e, justamente por isso, existem inúmeras versões do 109 disponíveis no plastimodelismo.

Para esta montagem escolhi o Bf 109 F-2 da Zvezda, uma oportunidade não apenas para montar mais um dos grandes caças do período, mas também para experimentar algumas técnicas e materiais que eu vinho incorporando à bancada.

Não pretendi representar uma aeronave histórica específica. Optei por uma interpretação genérica e plausível de um Friedrich, o que me deu alguma liberdade na escolha da camuflagem, das marcações e principalmente no acabamento.

E a montagem acabou ficando bem mais interessante do que eu imaginava inicialmente.

Primeiras impressões e preparação

O Bf 109 parece um avião relativamente simples quando visto pronto, mas o kit possui regiões que exigem planejamento, especialmente quando se pretende deixar o motor exposto.

Também aproveitei o projeto para continuar minha adaptação às tintas acrílicas ATOM, da AMMO, que havia começado a usar recentemente.

Fiz alguns testes antes de aplicá-las ao modelo. Uma característica que me chamou atenção foi o bom autonivelamento. Mesmo trabalhando com várias camadas, a película permaneceu relativamente fina e preservou os detalhes da superfície.

O teste também produziu uma pequena lição: aplicar tinta demais esperando que o autonivelamento resolva tudo é uma excelente maneira de descobrir que a gravidade continua funcionando. Em uma das experiências, o excesso escorreu e se acumulou na borda da peça.

Esperei cerca de cinco minutos e então removi a tinta com um cotonete. Em seguida, repintei a peça para verificar se a correção deixaria algum degrau na superfície. Esse tipo de procedimento costuma funcionar bem com tintas automotivas, mas nem sempre produz o mesmo resultado com tintas acrílicas.

Fiquei surpreso com o resultado. A tinta cobriu e nivelou muito bem.

Conclusão: achei a tinta sensacional, principalmente pela capacidade de autonivelamento. Nesse aspecto, aproxima-se bastante do comportamento de uma tinta automotiva, com a vantagem de ser muito mais agradável de trabalhar. A cobertura é um pouco mais progressiva, exigindo mais demãos, mas isso também facilita a aplicação de técnicas que se beneficiam de camadas mais transparentes.

Cockpit

O trabalho começou efetivamente pelo cockpit e motor.

Aproveitei para testar o primer da AMMO – One Shot. Gostei bastante da cobertura. Usei Veja como diluente.

O assento do piloto tinha uma marca de injeção que eu escondi usando uma fita adesiva metálica.

Para aumentar o nível de detalhamento do kit, utilizei acessórios em photo-etched (PE) da Eduard (BIG4950), que fizeram uma diferença considerável principalmente no interior.

A cor predominante utilizada no interior foi o RLM 66 Schwarzgrau, o cinza muito escuro característico dos cockpits alemães desse período. Depois da aplicação da cor-base, comecei a destacar individualmente os instrumentos, comandos e outros pequenos elementos.

Em uma escala pequena, existe sempre o risco de o RLM 66 transformar o cockpit em uma grande cavidade escura. Por isso, procurei criar contraste suficiente para que os detalhes continuassem perceptíveis depois que a fuselagem fosse fechada.

Os relevos receberam realces e pequenos detalhes foram pintados individualmente, quebrando a uniformidade do cinza.

Motor

Uma das partes que mais me interessavam neste kit era o motor.

Decidi desde cedo que o modelo seria apresentado com o compartimento do motor aberto, o que mudou completamente a importância dessa região da montagem. Componentes que praticamente desapareceriam sob as tampas passaram a merecer muito mais atenção.

A base recebeu tons metálicos e escuros, seguida pelo detalhamento das tubulações e componentes menores. A ideia não era deixar tudo simplesmente preto ou metálico, mas criar pequenas variações capazes de destacar visualmente a complexidade do conjunto.

Tubulações, conexões e alguns detalhes receberam cores diferentes, e posteriormente foram aplicados efeitos para aumentar a sensação de profundidade.

O resultado começou a ganhar aquele aspecto mecânico que eu procurava: metal, óleo, sujeira e componentes individuais visualmente separáveis.

Fechando o cockpit

Com o detalhamento concluído, chegou a hora de fechar a fuselagem. Os cintos de segurança em PE acrescentaram mais definição ao assento. Também substituí o visor original da mira por uma pequena peça de acetato bem fino, buscando uma espessura mais próxima da aparência do vidro real.

Depois de fechar a fuselagem, porém, percebi que havia cometido um erro na sequência de montagem. Segui as instruções do kit e instalei o motor nesse momento sem questionar se aquela era realmente a melhor ordem de trabalho.

Não era.

O motor pode ser montado e detalhado separadamente e instalado praticamente no final da montagem. Além de facilitar bastante o manuseio do modelo durante as etapas seguintes, isso evita a necessidade de mascarar cuidadosamente todo o conjunto do motor durante a aplicação do primer, da camuflagem, do verniz e dos demais acabamentos.

Se fosse montar este kit novamente, certamente deixaria o motor separado durante praticamente todo o processo e faria sua instalação apenas depois de concluídas as principais etapas de pintura e acabamento da fuselagem.

Asas

Com a fuselagem fechada, passei para a montagem das asas.

A união das asas com a fuselagem, entretanto, foi uma das etapas que mais exigiu trabalho de ajuste. Surgiram frestas consideráveis principalmente nas raízes das asas e na junção inferior com a fuselagem.

Foi necessário aplicar massa em vários pontos para corrigir essas junções.

Depois veio a parte menos glamourosa e inevitável do plastimodelismo: lixar, conferir, corrigir e lixar novamente.

O objetivo não era apenas eliminar as frestas, mas recuperar uma transição suave entre fuselagem e asas sem alterar excessivamente o perfil das peças. O trabalho também exigiu atenção para não destruir desnecessariamente as linhas de painel e rebites próximos às regiões corrigidas.

Essa etapa acabou exigindo bastante mais trabalho do que a montagem inicial das peças sugeria, mas o resultado compensou. Depois das sucessivas correções e do acabamento das junções, asas e fuselagem finalmente passaram a parecer uma única estrutura.

Com a estrutura principal finalmente pronta, o Bf 109 já começava a assumir sua forma definitiva. A partir daí, pude preparar toda a superfície para o primer, que também serviria como uma espécie de prova final: qualquer fresta, risco ou irregularidade que tivesse sobrevivido ao trabalho de massa e lixamento ficaria muito mais evidente sob uma camada uniforme de tinta.

Camuflagem

Escolhi uma combinação clássica para o Friedrich, trabalhando com RLM 76 nas superfícies inferiores e laterais e RLM 74/75 nas superfícies superiores.

Eu queria reproduzir nas laterais um padrão de camuflagem menos convencional, composto por formas irregulares interligadas sobre o RLM 76.

Em vez de tentar executar todo o desenho diretamente com o aerógrafo, preparei uma máscara para o padrão lateral usando limpa-tipos.

Depois da aplicação e de alguns ajustes com aerógrafo, surgiu finalmente o efeito que eu procurava. Nesta etapa, o modelo já estava com os decais e a faixa amarela aplicados, além dos primeiros efeitos de desgaste.

Desgaste

Depois da pintura, dos decais e do trabalho nas linhas de painel, comecei uma das etapas de que mais gosto: o desgaste.

Tentei concentrar o desgaste em lugares onde ele faria sentido: regiões de circulação e manutenção, bordas de alguns painéis, asas, área dos escapamentos e parte inferior da fuselagem.

Para isso, combinei diferentes materiais e técnicas, procurando usar cada um deles onde oferecia maior controle.

Uma das principais ferramentas foram os lápis aquareláveis Faber-Castell Albrecht Dürer, em diferentes tons de cinza, marrom, preto, branco e cores terrosas. Eles permitem trabalhar de maneira bastante localizada, acrescentando pequenas variações de cor, riscos, sujeira e marcas de desgaste progressivamente.

A grande vantagem dos lápis nessa etapa é justamente o controle. Em vez de produzir todo o desgaste de uma vez, pude construir os efeitos aos poucos, observando o resultado e reforçando apenas as regiões que julgava necessário.

Para sujeira acumulada e depósitos mais difusos, utilizei os pigmentos AK Interactive Dark Earth e Smoke. O Dark Earth foi empregado principalmente para criar variações terrosas e sujeira, enquanto o Smoke ajudou nos depósitos mais escuros.

Nas áreas dos escapamentos utilizei também o Parabellum Exhaust, trabalhando os resíduos dos gases e as alterações de tonalidade próximas às saídas.

Como esses efeitos, principalmente os produzidos com lápis e pigmentos, podem permanecer bastante frágeis ao manuseio, utilizei verniz acrílico fosco Acrilex como selante, aplicado em camadas leves.

O resultado final foi uma aeronave com sinais perceptíveis de operação, principalmente nas áreas de maior uso, na parte inferior e ao redor dos escapamentos, mas preservando a leitura das cores, dos decais e do padrão de camuflagem que haviam sido construídos nas etapas anteriores.

Também finalizei separadamente os dois painéis laterais que fecham o compartimento do motor. As superfícies externas receberam a mesma camuflagem da fuselagem, inclusive a continuidade do padrão lateral, enquanto a parte interna foi pintada e recebeu wash e efeitos de uso para destacar a estrutura e os reforços moldados nas peças.

Apesar de ter preparado e finalizado as duas peças, optei por não fixá-las ao modelo, contrariando a solução proposta pelo manual para a apresentação com o motor exposto.

Ao consultar fotografias de referência, percebi que, durante os trabalhos de manutenção que exigiam acesso ao motor, esses painéis podiam ser completamente removidos da aeronave. Para a forma como pretendo apresentar o modelo, essa configuração também oferece uma vantagem importante: deixa o DB 601 muito mais visível, sem que as chapas abertas lateralmente escondam parte do conjunto mecânico.

Resultado

Depois de todas essas etapas, o Bf 109 F-2 finalmente chegou ao fim.

O projeto acabou sendo especialmente interessante. Houve testes com uma nova linha de tintas, criação de máscara para a camuflagem lateral, detalhamento do motor, experimentação com diferentes técnicas de desgaste e uma boa quantidade de pequenas decisões tomadas ao longo do caminho.

Obrigado por acompanhar!

Obrigado por acompanhar esta montagem até aqui. Espero que o processo, os acertos e também os pequenos erros encontrados pelo caminho possam ser úteis em seus próprios projetos.

Se tiver alguma dúvida sobre a montagem, quiser trocar experiências ou simplesmente conversar sobre plastimodelismo, você pode me encontrar no Instagram @hangardobrad ou na nossa comunidade no Discord.

Nos vemos na próxima bancada!

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